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Tratamento oncológico · Terapia celular · Atualizado em 2026

Terapia CAR-T negada pelo plano de saúde: Kymriah, Yescarta e Carvykti no TJRJ

Por Henrique Machado, OAB/RJ 252.553 | Direito da Saúde Suplementar | Leitura de 12 minutos | Publicado em

A terapia com células CAR-T é usada quando o linfoma, a leucemia ou o mieloma voltam depois de vários tratamentos. Custa milhões de reais e não está no rol da ANS, e por isso o plano costuma negar. Este artigo mostra doze decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sobre Kymriah, Yescarta e Carvykti. Em todas, o resultado final foi a favor do paciente, mas há um voto vencido, uma sentença que tinha negado tudo e um risco que pouca gente explica.

A resposta curta

O plano pode ser obrigado a cobrir a terapia CAR-T, mesmo fora do rol, quando o paciente preenche os requisitos que o STF fixou na ADI 7.265, todos ao mesmo tempo: prescrição por médico habilitado, inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente, falta de alternativa adequada no rol, prova científica de eficácia e segurança, e registro na Anvisa. A nosso ver, o segundo requisito favorece o paciente: não há, no portal da ANS, análise de inclusão nem recusa da terapia CAR-T. No TJRJ, esses requisitos têm sido reconhecidos quando o laudo mostra que as linhas anteriores falharam. A discussão mais difícil hoje é a do parecer técnico independente exigido pelo STF.

O que é a terapia CAR-T e o que a Anvisa aprovou

Na terapia CAR-T, "As células T do paciente são coletadas no serviço de saúde e enviadas para um centro de fabricação", onde recebem um gene que as ensina a atacar o câncer. Depois, voltam ao paciente numa infusão única, em hospital. A Anvisa aprovou três produtos que aparecem nas decisões:

CAR-T não está no rol, e isso não encerra a discussão

O Anexo II da RN 465/2021, com as diretrizes de utilização da ANS, não traz item para terapia CAR-T. A única terapia avançada com diretriz é a da atrofia muscular espinhal. No SUS, um parecer técnico do Comitê Estadual de Saúde, de 05/05/2025, registrou que o Kymriah "não é padronizado no SUS para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda recaída/ refratária". Desde a Lei 14.454/2022, porém, o rol é referência básica, e a cobertura fora dele é possível se cumpridos os requisitos da ADI 7.265, explicados no artigo sobre o rol da ANS. No Agravo de Instrumento 0095538-32.2025.8.19.0000, a 8ª Câmara de Direito Privado, relator o Des. Carlos Fernando Potyguara Pereira, aplicou esses requisitos ao Kymriah e concluiu que é devida a cobertura "quando presentes prescrição médica fundamentada, inexistência de alternativa terapêutica eficaz, comprovação científica de eficácia e registro na ANVISA".

O que o plano alega e o que o TJRJ respondeu

Também não há a discussão do uso domiciliar, comum em outros remédios: o Carvykti, por exemplo, "deve ser administrada em ambiente hospitalar diante do alto risco de síndrome de liberação de citocinas e síndrome de neurotoxicidade", como registrou a decisão de primeiro grau transcrita no Agravo de Instrumento 0068664-10.2025.8.19.0000.

As doze decisões do TJRJ

Terapia CAR-T: decisões do TJRJ
ProcessoResultado
Agravo de Instrumento 0095538-32.2025.8.19.0000
8ª Câmara de Direito Privado, 14/04/2026
Kymriah para criança de 12 anos com leucemia; 72 horas, multa de R$ 2.000,00 por dia até R$ 20.000,00
Agravo de Instrumento 0102473-88.2025.8.19.0000
6ª Câmara de Direito Privado, 08/04/2026
Carvykti: mantido bloqueio de R$ 4.251.095,00 para garantir o tratamento
Agravo de Instrumento 0090089-93.2025.8.19.0000
16ª Câmara de Direito Privado, 14/03/2026
Yescarta: 48 horas, multa de R$ 1.000,00 por dia até R$ 10.000,00
Agravo de Instrumento 0109743-66.2025.8.19.0000
16ª Câmara de Direito Privado, 11/06/2026
Carvykti para idoso de 76 anos; 72 horas, caução negada
Apelação Cível 0810217-90.2025.8.19.0001
4ª Câmara de Direito Privado, 16/12/2025, unânime
Carvykti: paciente faleceu; espólio recebeu dano moral de R$ 8.000,00
Agravo de Instrumento 0068664-10.2025.8.19.0000
17ª Câmara de Direito Privado, 12/12/2025, maioria
Carvykti: liminar mantida, com voto vencido
Agravo de Instrumento 0048531-44.2025.8.19.0000
5ª Câmara de Direito Privado, 16/11/2025, unânime
Carvykti para idoso de 67 anos; 48 horas, multa até R$ 100.000,00
Apelação Cível 0179083-65.2023.8.19.0001
14ª Câmara de Direito Privado, 29/07/2025, unânime
Sentença de improcedência reformada; dano moral de R$ 10.000,00
Agravo de Instrumento 0080623-12.2024.8.19.0000
13ª Câmara de Direito Privado, 03/04/2025, unânime
Carvykti: liminar mantida, caução dispensada
Apelação Cível 0805367-10.2023.8.19.0212
12ª Câmara de Direito Privado, 27/03/2025, unânime
Kymriah: cobertura e dano moral de R$ 6.000,00
Apelação Cível 0865518-90.2023.8.19.0001
14ª Câmara de Direito Privado, 18/12/2024
Kymriah: dano moral elevado para R$ 50.000,00
Agravo de Instrumento 0031830-42.2024.8.19.0000
17ª Câmara de Direito Privado, 08/08/2024, unânime
Yescarta: liminar mantida e multa à operadora por embargos protelatórios

Oito das doze decisões são sobre liminar, a tutela de urgência, e não julgamento final. As quatro apelações, que são julgamento de mérito, também foram favoráveis ao paciente.

O que cada caso ensina

Para o médico: o que o relatório precisa mostrar

Para o médico: as normas completas, para baixar e ler

Não é preciso confiar no nosso resumo. Os documentos oficiais em que este artigo se apoia estão disponíveis nas páginas dos próprios órgãos:

Os pontos fracos, ditos por nós

Perguntas frequentes

A terapia CAR-T está no rol da ANS?

Não. O Anexo II da RN 465/2021 não traz item para CAR-T. A cobertura fora do rol depende dos requisitos da ADI 7.265 do STF.

O plano é obrigado a pagar o Kymriah, o Yescarta ou o Carvykti?

Nas doze decisões do TJRJ deste artigo, o resultado final foi a favor do paciente, como no Agravo de Instrumento 0095538-32.2025.8.19.0000, sobre o Kymriah para uma criança de 12 anos. Mas cada caso depende do laudo e da prova de que as alternativas falharam.

O plano pode negar porque o tratamento custa milhões?

O custo não tem sido aceito como motivo pelo TJRJ. No Agravo de Instrumento 0090089-93.2025.8.19.0000, a Câmara disse que o ônus financeiro da operadora é reversível e o dano à saúde não é.

E se o plano não cumprir a liminar?

O juiz pode bloquear o valor nas contas da operadora. No Agravo de Instrumento 0102473-88.2025.8.19.0000, o TJRJ manteve o bloqueio de R$ 4.251.095,00.

Se eu perder a ação, terei de devolver o valor?

É um risco real. O TJRJ registrou, no Agravo de Instrumento 0095538-32.2025.8.19.0000, que, revogada a liminar, a operadora pode cobrar os gastos.

Cabe dano moral pela negativa?

Nas apelações do TJRJ, sim: de R$ 6.000,00 a R$ 50.000,00. O maior valor foi na Apelação Cível 0865518-90.2023.8.19.0001.

Em resumo

A terapia CAR-T (Kymriah, Yescarta e Carvykti) tem registro na Anvisa, mas não está no rol da ANS nem foi incorporada ao SUS. Em doze decisões do TJRJ, o resultado final foi sempre a favor do paciente, com base na Lei 14.454/2022 e, nas decisões mais recentes, nos requisitos da ADI 7.265, como no Agravo de Instrumento 0095538-32.2025.8.19.0000. Os riscos estão no parecer técnico exigido pelo STF, em um voto vencido que revogava a liminar e na possibilidade de devolver os gastos se a ação for perdida.

Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 252.553 Henrique Machado Advogado · OAB/RJ 252.553

Atua em Direito da Saúde Suplementar, com foco em reajustes de planos de saúde, cobertura de tratamentos e manutenção contratual, em B&M Advogados, Boechat e Machado Advogados, Niterói, Rio de Janeiro.

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Equipe de Direito da Saúde Suplementar do escritório: Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 252.553; Paulo Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 58.450; Victor Boechat Rosa e Silva, advogado, OAB/RJ 206.210.

Conteúdo informativo, publicado em 2026. Não constitui orientação médica e não substitui a análise do contrato, do relatório médico e dos documentos do caso concreto. Fontes: notícias da Anvisa sobre a aprovação do Kymriah, do Yescarta e do Carvykti; Anexo II da RN 465/2021; parecer técnico do Comitê Estadual de Saúde nº 0604/2025; Lei 9.656/1998; ADI 7.265/DF do STF; acórdãos do TJRJ citados no texto, lidos no inteiro teor.