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Medicamentos · Enxaqueca crônica · Atualizado em 2026

Remédio para enxaqueca negado pelo plano de saúde: Ajovy, Emgality e toxina botulínica no TJRJ

Por Henrique Machado, OAB/RJ 252.553 | Direito da Saúde Suplementar | Leitura de 10 minutos | Publicado em

A enxaqueca crônica, chamada pelos médicos de migrânea crônica, pode tirar a pessoa do trabalho vários dias por semana. Quando os remédios comuns falham, o neurologista costuma indicar uma injeção mensal, como o Ajovy (fremanezumabe) ou o Emgality (galcanezumabe), ou a aplicação de toxina botulínica. O plano costuma negar. Este artigo mostra doze decisões recentes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: sete contra o paciente e cinco a favor.

A resposta curta, e ela é dividida

O TJRJ está dividido, e o que separa as decisões quase sempre é a forma de aplicação. Quando o processo trata a injeção como autoaplicada em casa, a operadora costuma ganhar, porque a lei permite excluir o remédio de uso domiciliar. Quando o laudo mostra que a aplicação é feita em clínica, com supervisão de profissional de saúde, o paciente costuma ganhar. A nosso ver, este é um dos temas em que o relatório médico mais pesa.

Que remédios são esses

O ponto que decide: uso domiciliar ou ambulatorial

A Lei 9.656/1998, no art. 10, VI, permite ao plano excluir o remédio de uso domiciliar. O STJ aplica essa regra há anos, e a Quarta Turma a repetiu em agosto de 2026, nos REsp 2.239.166/SP e REsp 2.167.110/SP: "é lícita a exclusão de cobertura para medicamentos de uso domiciliar, ressalvados os antineoplásicos orais (e correlacionados), a medicação assistida (home care) e os incluídos no rol da ANS". Explicamos esses julgamentos no artigo sobre a negativa por uso domiciliar depois da ADI 7.265.

A resposta que tem funcionado no TJRJ é mostrar que a aplicação não é feita em casa. Na Apelação Cível 0855337-30.2023.8.19.0001, da 11ª Câmara de Direito Privado, relatora a Des. Maria Luiza de Freitas Carvalho, a Câmara registrou: "Consoante se extrai do laudo médico, o tratamento não foi prescrito para realização em âmbito domiciliar, mas sim que a medicação injetável subcutânea deve ser ministrada em sua clínica médica ou em qualquer centro de infusão ou injeção de medicamentos, de preferência da paciente."

Os casos em que o paciente perdeu

Os casos em que o paciente ganhou

Enxaqueca: decisões favoráveis no TJRJ
ProcessoO que foi decidido
Apelação Cível 0810734-14.2024.8.19.0007
15ª Câmara de Direito Privado, 23/02/2026
Ajovy: cobertura, multa de R$ 2.000,00 por dia até R$ 20.000,00 e reembolso do que a paciente pagou
Apelação Cível 0877846-52.2023.8.19.0001
9ª Câmara de Direito Privado, 24/03/2025, unânime
Ajovy e toxina botulínica: cobertura, multa e R$ 15.500,00 de danos materiais
Apelação Cível 0830914-61.2023.8.19.0209
11ª Câmara de Direito Privado, 07/11/2024, unânime
Emgality: cobertura mantida, por ser injetável com supervisão
Apelação Cível 0855337-30.2023.8.19.0001
11ª Câmara de Direito Privado, 29/08/2024, unânime
Ajovy: cobertura e dano moral de R$ 7.000,00
Agravo de Instrumento 0105648-90.2025.8.19.0000
17ª Câmara de Direito Privado, 11/02/2026
Ajovy: liminar mantida para idosa com contrato antigo

No Agravo de Instrumento 0105648-90.2025.8.19.0000, relator o Des. Wilson do Nascimento Reis, a Câmara aplicou o Código de Defesa do Consumidor a um contrato antigo, anterior à Lei 9.656/1998, e considerou que o remédio "possui registro válido na Anvisa, é de uso ambulatorial e que a terapêutica do tratamento foi indicada após o insucesso dos tratamentos anteriores"; por isso, a cobertura era devida ao menos na fase de liminar. No caso da Apelação Cível 0830914-61.2023.8.19.0209, relator o Des. João Batista Damasceno, a Câmara registrou que o remédio é "classificado como de uso ambulatorial, por ser injetável, necessitando de supervisão direta de profissional de saúde para ser ministrado".

O que a ANS disse sobre o fremanezumabe

O fremanezumabe não está no rol para enxaqueca, e o Anexo II da RN 465/2021 não traz item para a doença. Em julho de 2025, a ANS analisou a inclusão do fremanezumabe para a prevenção da enxaqueca em adultos com pelo menos quatro dias de crise por mês, que já falharam em três tratamentos. A recomendação preliminar foi desfavorável, e o tema passou pela Consulta Pública 158 e pela Audiência Pública 57. A nosso ver, isso pesa: um dos requisitos da ADI 7.265 para a cobertura fora do rol é a inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente de inclusão. Com a análise em curso ou com uma recusa final, o pedido fica mais difícil. Os requisitos estão no artigo sobre o rol da ANS.

Para o médico: o que o relatório precisa dizer

Para o médico: as normas completas, para baixar e ler

Não é preciso confiar no nosso resumo. Os documentos oficiais em que este artigo se apoia estão disponíveis nas páginas dos próprios órgãos:

Os pontos fracos, ditos por nós

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a fornecer Ajovy ou Emgality?

Não há resposta única. O TJRJ está dividido: negou quando tratou o remédio como de uso domiciliar, como na Apelação Cível 0835128-60.2022.8.19.0038, e mandou fornecer quando o laudo mostrava aplicação supervisionada, como na Apelação Cível 0855337-30.2023.8.19.0001.

O plano cobre toxina botulínica para enxaqueca?

Também depende. Na Apelação Cível 0877846-52.2023.8.19.0001, o TJRJ manteve a cobertura do Ajovy e da toxina botulínica. No Agravo de Instrumento 0058675-14.2024.8.19.0000, por maioria, revogou a liminar que incluía a toxina e tratamentos para depressão.

O que mais pesa para ganhar?

O laudo dizer que a aplicação é feita em clínica ou centro de infusão, com supervisão de profissional de saúde, e mostrar que os tratamentos anteriores falharam.

O fremanezumabe está no rol da ANS?

Não. Em 2025, a ANS analisou a inclusão do fremanezumabe para enxaqueca, com recomendação preliminar desfavorável. Pela ADI 7.265, a negativa expressa da ANS, ou a análise ainda pendente, dificulta a cobertura fora do rol.

Já comprei o remédio. Posso pedir o reembolso?

Se a recusa for considerada indevida, sim. Na Apelação Cível 0810734-14.2024.8.19.0007, o TJRJ manteve o reembolso do que a paciente pagou.

A negativa gera dano moral?

Nem sempre. Na Apelação Cível 0855337-30.2023.8.19.0001 houve R$ 7.000,00; na Apelação Cível 0835128-60.2022.8.19.0038, sem cobertura, não houve dano moral.

Em resumo

Remédios para enxaqueca crônica como o Ajovy (fremanezumabe) e o Emgality (galcanezumabe) dividem o TJRJ: em doze decisões recentes, sete foram contra o paciente, quase sempre pelo uso domiciliar do art. 10, VI, da Lei 9.656/1998, e cinco a favor, a maioria porque o laudo mostrava aplicação supervisionada, como na Apelação Cível 0855337-30.2023.8.19.0001. Em recomendação preliminar de 2025, a ANS foi desfavorável à inclusão do fremanezumabe no rol, o que pesa contra o pedido pela ADI 7.265.

Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 252.553 Henrique Machado Advogado · OAB/RJ 252.553

Atua em Direito da Saúde Suplementar, com foco em reajustes de planos de saúde, cobertura de tratamentos e manutenção contratual, em B&M Advogados, Boechat e Machado Advogados, Niterói, Rio de Janeiro.

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Equipe de Direito da Saúde Suplementar do escritório: Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 252.553; Paulo Henrique Machado, advogado, OAB/RJ 58.450; Victor Boechat Rosa e Silva, advogado, OAB/RJ 206.210.

Conteúdo informativo, publicado em 2026. Não constitui orientação médica e não substitui a análise do contrato, do relatório médico e dos documentos do caso concreto. Fontes: Lei 9.656/1998, art. 10, VI; acórdãos do TJRJ citados no texto, lidos no inteiro teor; REsp 2.239.166/SP e REsp 2.167.110/SP do STJ; recomendação preliminar da ANS sobre o fremanezumabe, Consulta Pública 158 e Audiência Pública 57 de 2025; ADI 7.265/DF do STF.